Blog com poesias, textos e pequenas peças, além de fotografias e figuras realizadas ou trabalhadas pelo autor.
domingo, 31 de outubro de 2010
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
Réquiem para ilusão
Estava andando na rua, você passou
com um sorriso manhoso, me conquistou
enfeitiçado, atordoado, nem me movi
olhando pra esquina vi você sumir
Então é noite e eu sem dormir
uma hora – você onde mora?
duas horas – você se cora
duas horas – você se cora
e já são quatro horas – não houve fora
Escorado em um muro te esperando
com os espinhos da rosa me espetando
petrificado, todo molhado de suor
o que fazer? Você já vem, ainda não sei de cor
Então olhei você passar por mim
Mais uma noite sem dormir
olho pro teto – aqui por perto
os olhos coçam – as mãos se tocam
tudo calado – você do meu lado
É amanhã, o amanhã
Mas você não passou por ali
era noite quando desisti
desconsolado, derrotado fui me deitar
encontrar com você quando sonhar
É amanhã, o amanhã
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Um amor puro
Hoje senti um amor puro. Ele vei junto com o cheiro do seu cabelo, quando estávamos deitados fazendo nada. Sua cabeça recostada no meu peito facilitou a invasão de leveza que acalmou meu coração preocupado com contas, atendimentos, IPVA, IPTU, IRPF, ITBI, ICC, HAS, DM, IRC, TRH, HC, FHEMIG, provas e desempenhos. Naquele momento, tudo ficou pequeno, insignificante perto do seu cheiro. Não aconteceu mais nada, mas o que mais poderia acontecer? A força e a simplicidade do que senti era só o que importava então.
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Muros e grades
Assaltos. Caos na saúde. Balas ricocheteando. Rebeliões. Revoltas. Neonazismo. Neofascismo. Neoliberal. Enchentes. Seitas crentes. Condenados à morte. Bebês abandonados. Taxa de juros. Juramento em tribunal. Turista morto no carnaval. Secas. Ondas de calor. Dinheiro voando sem controlador. Censura. Doenças sem cura. Eleição de guerrilheiro. Pressão política sob a forma de dinheiro. Golpes das forças armadas.
Do lado de cá não tem nada. Aqui vai sempre tudo bem. Mas só atento para isso quando falta o eco das palavras.
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
Forró na Praça
Dentro da calmaria de uma pequena cidade
Há sempre espaço para uma novidade
Novidade realmente nova ou velha polida
Não importa para quem quer se distrair da lida
As meninas novas se pintam Helenas de Tróia
As senhoras se penteam e relembram sua glória
Os rapazes escolhem seus alvos na sorveteria
Os senhores se apertam para fechar a braguilha
As luzes penduradas na praça da igreja
Iluminam a rua e o que se deseja
Durante 6 horas se bebe e se dança
Dores e dívidas, tudo se amansa
E no fim da noite, quando já se sente saudade
As luzes se apagam e amanhece a cidade
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
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