domingo, 4 de março de 2012

sábado, 3 de março de 2012

Sobre esquinas e pães de queijo

Era a primeira vez que a mãe de Adolfinho o enviava sozinho até a padaria. Ela precisava de alguns complementos para o lanche da tarde e não poderia sair pois estava "fazendo sala" para a avó do menino. Então ele foi, com uma lista e o dinheiro até a padaria na rua paralela. Sentia-se importante, gente grande. Mas ao passar pela esquina se lembrou de quem era. Havia uma série de ítens lá e dentre eles alguns carrinhos de plástico. Como não havia ninguém por perto ele pegou os carrinhos abandonados, a vela e os fósforos - sábia e instintivamente deixando o frango com farofa e a garrafa de vinho para trás. Comprou o que tinha na lista e voltou. Quando estava livre de suas obrigações foi inaugurar seus carrinhos. Sentiu o cheiro dos pães de queijo que sua mãe tinha colocado no forno. E quando ela o foi chamar estranhou os brinquedos nunca vistos. E ao saber da procedência dos novos itens convocou todos a se juntarem em uma oração pela alma dos pães de queijo acesos com os fósforos do "trabalho" da esquina.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

O que aconteceria comigo se...

...por legítima defesa atirasse contra alguém.
   Suponhamos que em uma noite dessas um assaltante invadisse minha casa armado e, ao deixar sua arma sobre meu móvel da sala para pegar minha TV e levá-la para a varanda, eu tomasse a arma. Com raiva - provavelmente sob efeito de alguma substância - o bandido parte em minha direção. Assustado e sem nunca ter colocado a mão em uma arma de fogo, disparo. O projétil atinge a ulna do elemento provocando uma fratura exposta, deslocando um estilhaço do osso que ricocheteia e acerta minha artéria femoral. Enquanto sangro no chão em um choque hipovolêmico o meliante é encaminhado ao HPS com uma simples fratura no braço...

sábado, 28 de janeiro de 2012

Sobre hérois e calções de banho

     Toda sexta-feira a escola de Adolfinho deixava que os alunos levassem um brinquedo e os deixava interagindo com "coleguinhas" de todas as classes da mesma série no último horário. E para a última sexta-feira do ano havia uma prgramação especial: eles iriam à piscina! Por toda a semana a mãe de Adolfinho tentou em vão convencer o filho a não usar seu calção de banho favorito - subentende-se: velho. Ele tinha várias bolinhas coloridas sobre um fundo verde-limão, muito discreto. É provável que alguma linha de teoria do cuidado infantil tenha influenciado sua mãe quando ela escolheu esta sunga (i.e. a criança se torna visível e identificável até 1000 metros de distância). 
     Fato é que ao se arrumar para ir a escola Adolfinho quis já ir usando o calção como cueca para aula. Percebendo a impossibilidade de fazê-lo usar outra peça sua mãe consentiu. Ele estava radiante. Se sentia confiante com seu calção que o acompanhara em tantas aventuras imaginárias em clubes e praias. O problema é que o elástico já havia passado do seu melhor momento e ao andar começava a cair. Adolfinho precisou até entrar no banheiro na hora do recreio para resgatá-lo de suas pernas. E passou a ficar temeroso de que ao entrar na piscina seu calção saísse na frente de todos. 
     Durante a brincadeira na área da piscina ele ficou próximo ao muro, sem querer entrar na água. Triste por não aproveitar a situação tão esperada Adolfinho abriu sua mochila em busca de uma revistinha para ler. Neste momento ele viu na sua "mochila de utilidades" a ferramenta que liberaria o herói aprisionado: o grampeador.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Mascotes

Um dia desses ouvi de um comentarista na TV "o mascote da copa no Brasil deve ter um apelo ligado à nossa imagem internacional, como um macaco...". Já para começo de conversa afirmo ser adepto da teoria evolucionista com ancestral comum entre homens e macacos e tal. Mas também é claro o teor preconceituoso e degradante que a expressão pode conter. Dito isso continuemos com a linha de pensamento. É certo que a nossa imagem lá fora não é das melhores. Só não acredito que devemos incorporá-la como uma verdade eterna. Acho que podemos refletir sobre os motivos de passarmos tal impressão e destilar alguns aspectos realmente negativos e mudá-los para melhorar nossa sociedade. Ou estou errado e o melhor mascote seria o Pelezinho na Marquês de Sapucaí, com uma xícara de café em uma mão e um mico leão dourado no ombro.