terça-feira, 20 de março de 2012

segunda-feira, 12 de março de 2012

O que aconteceria comigo se...

...após muitos anos decidisse usar o sistema público de transporte de Belo Horizonte.
   Após a formatura na faculdade comecei a trabalhar, logo estava de carro novo - símbolo da independência na nossa sociedade judaico-cristã-ocidental. Com isso deixei por anos de usar ônibus e o incipiente metrô da cidade para me locomover. Pois por uma dessas distrações da vida, suponhamos que o seguro do meu carro tenha expirado. Sem querer arriscar um bem tão valioso e fruto de trabalho árduo, resolvo ir de ônibus para o trabalho. Pesquiso na internet os horários e trajetos, faz tempo e não tenho tais informações - não gosto de surpresas, nem de chegar atrasado. Tudo anotado, acerto meu despertador e vou para a cama. No dia seguinte, estou no ponto cerca de 5 minutos antes do horário. Existem algumas pessoas, não muitas, é cedo e o bairro  constituído principalmente por famílias que possuem carros. No momento em que meu relógio marca a hora em que coletivo deveria passar sinto até uma leve palpitação, revivendo experiências, sabe como é. Entretanto ele não passa. Agora já são 10 minutos de atraso e o ponto está cheio. Pessoas se perguntam há quanto tempo estão esperando, se era comum haver atrasos, enquanto uma chuva fina começa. Então chega a notícia por um adolescente com uma mochila velha, fones de ouvido e um sorriso no canto da boca: os rodoviários entraram em greve.

domingo, 4 de março de 2012

sábado, 3 de março de 2012

Sobre esquinas e pães de queijo

Era a primeira vez que a mãe de Adolfinho o enviava sozinho até a padaria. Ela precisava de alguns complementos para o lanche da tarde e não poderia sair pois estava "fazendo sala" para a avó do menino. Então ele foi, com uma lista e o dinheiro até a padaria na rua paralela. Sentia-se importante, gente grande. Mas ao passar pela esquina se lembrou de quem era. Havia uma série de ítens lá e dentre eles alguns carrinhos de plástico. Como não havia ninguém por perto ele pegou os carrinhos abandonados, a vela e os fósforos - sábia e instintivamente deixando o frango com farofa e a garrafa de vinho para trás. Comprou o que tinha na lista e voltou. Quando estava livre de suas obrigações foi inaugurar seus carrinhos. Sentiu o cheiro dos pães de queijo que sua mãe tinha colocado no forno. E quando ela o foi chamar estranhou os brinquedos nunca vistos. E ao saber da procedência dos novos itens convocou todos a se juntarem em uma oração pela alma dos pães de queijo acesos com os fósforos do "trabalho" da esquina.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

O que aconteceria comigo se...

...por legítima defesa atirasse contra alguém.
   Suponhamos que em uma noite dessas um assaltante invadisse minha casa armado e, ao deixar sua arma sobre meu móvel da sala para pegar minha TV e levá-la para a varanda, eu tomasse a arma. Com raiva - provavelmente sob efeito de alguma substância - o bandido parte em minha direção. Assustado e sem nunca ter colocado a mão em uma arma de fogo, disparo. O projétil atinge a ulna do elemento provocando uma fratura exposta, deslocando um estilhaço do osso que ricocheteia e acerta minha artéria femoral. Enquanto sangro no chão em um choque hipovolêmico o meliante é encaminhado ao HPS com uma simples fratura no braço...