terça-feira, 2 de julho de 2013

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Ele não exibia mais a força e presença que lhe eram peculiares já havia tempo. Primeiro foram as idas a padaria que escassearam. Depois a leitura dos jornais. Já visitava pouco seu refúgio sagrado, onde era rei e mantinha as coisas e idéias organizadas conforme sua vontade. Não dava mais suas cambalhotas. Seu neto participava desse processo como conseguia. Se organizou financeiramente e passou a se responsabilizar pelo fornecimento dos medicamentos necessários. Sempre que chegava naquela velha casa levava algumas caixas para o avô. Contava os comprimidos e se sentava na sala. Lá conversavam sobre futebol, porcos, cães e o ouvia falar do passado. Acreditava que era muito importante não se atrasar na época de levar os remédios para o avô. E ele deixava. O jovem demorou um pouco a entender que o maior alívio não vinha dos compostos químicos que trazia, e sim dos que produziam estando juntos. Passou então a levar outras prescrições como sorvetes e parentes. Percebeu que o importante era não atrasar com a visita. Sentia como se agora o regador estivesse em sua mão, era sua vez de regar o avô. E assim lentamente foram se despedindo a cada vez que se encontravam.

terça-feira, 18 de junho de 2013

Cenas da vida - fila da cantina na escola

- Oi Claudinho, posso entrar na sua frente?
- ... ... ...
- Aqui está meio apertado não é?
-... ... ...
- E quente. Vou tirar minha blusa e ficar de top.
-... .
- Claudinho?!?!

quarta-feira, 5 de junho de 2013

E o Bolsa-família não se acabou

Anunciaram e garantiram
Que o Bolsa-família ia se acabar
Por causa disso
Minha gente lá a Caixa
Começou a lotar...

E até viram da fila o sol
Nascer antes da madrugada
Por causa disso nessa noite
Lá no morro
Não se fez feijoada...

Acreditei nessa conversa mole
Pensei que o Bolsa-família ia se acabar
E fui tratando de me prevenir
E sem demora fui tratando
De ir no banco sacar...

Beijei a bôca
De quem tava na fila
Peguei na mão
Do idoso que não conhecia
Até em cego eu dei um caô
E o tal do Bolsa-família
Não se acabou...

Anunciaram e garantiram
Que o Bolsa-família ia se acabar
Por causa disso
Minha gente lá a Caixa
Começou a lotar...

E até viram da fila o sol
Nascer antes da madrugada
Por causa disso nessa noite
Lá no morro
Não se fez feijoada...

Chamei um caixa
Com quem não me dava
E molhei a sua mão
E dividindo o meu vencimento
Saquei com ele
Mais de quinhentão...

Agora eu soube
Que a presidenta anda
Dizendo coisa
Que não se passou
E vai ter barulho
E vai ter confusão
Porque o Bolsa-família não se acabou...

Anunciaram e garantiram
Que o Bolsa-família ia se acabar...


Paródia do samba de Assis Valente





P.S. Só mesmo no Brasil o governo desvia o dinheiro dos impostos pagos pela classe média para sustentar as classes C, D, E... (para manter seu curral eleitoral e se perpetuar nessa baderna e corrupção - ao menos nosso alfabeto não tem o K, Y e W oficialmente) e é incompetente ao ponto de gerar essa confusão, pra depois colocar a culpa na oposição - que desde 2003 ainda não conseguiu amarrar sapatos sem ajuda...