A família de Adolfinho planejava uma viagem à praia. Era início de dezembro e chovia muito em BH. Sua mãe decidiu que o velho calção de banho dele já havia cumprido sua missão. Então, alguns dias antes da partida, ela chegou em casa com uma sunga nova, amarela marca-texto. Nem é preciso dizer o quato o menino adorou seu presente, tão chamativo quanto o antigo companheiro de aventuras. Em sua cabeça seria como quando os Cavaleiros do Zodíaco usavam suas armaduras douradas ao invés das usuais. E em um instante já corria pela sala com o calção. A mãe de Adolfinho, temendo que antes de ver a areia da praia a sunga já estragasse mandou que o menino a tirasse e ele, a contragosto, obedeceu. Até os Cavaleiros tiveram reveses ao enfrentar Poseidon. A tarde, após sua mãe sair para trabalhar, o destemido cavaleiro recuperou sua armadura dourada e partiu para enfrentar suas inóspitas jornadas em busca do bem - no hall de seu prédio. Foi quando ele viu a grande enxurrada que se formava no meio fio de sua casa...algum tempo depois, quando já voltava para casa, sua mãe pode ver, deitado no meio d'água junto ao meio fio, o solitário Cavaleiro do Zodíaco dourado em sua batalha contra o perverso Poseidon.
Blog com poesias, textos e pequenas peças, além de fotografias e figuras realizadas ou trabalhadas pelo autor.
sábado, 28 de julho de 2012
domingo, 1 de julho de 2012
O que aconteceria comigo se...
...eu recebesse uma flor.
Venho caminhando pelo centro e um desses cidadãos caricatos, que toda cidade tem, me entrega uma flor, em um puro e singelo ato de altruísmo. Nesse instante uma abelha saí de dentro das pétalas e me ferroa, dando início a um choque anafilático.
quarta-feira, 27 de junho de 2012
Por que eu demoro no banho
Se eu bem me lembro das aulas de geografia, a proporção é mais ou menos essa: de toda a água na Terra, 97% é salgada, 2% estão nas calotas polares e 1% estaria nos lagos e rios, sendo esta fração a apropriada para consumo humano. É provável que também venha de alguma dessas aulas a verdade incoveniente do aumento global da temperatura provocado pelos gases estufa, que modificam climas e derretem as tais calotas polares, alterando de maneiras variadas diversos ecossistemas e formas de vida, incluindo a humana. Existem outros exemplos, como a insustentabilidade do uso de combustíveis fósseis e sua poluição, mas acredito que já tenha sido possível captar a idéia (abro aqui um parêntese para agradecer meus professores de geografia, um abraço na família). É preciso preocupar-se com sua "marca" na Terra, ser menos poluente e mais sustentável, atuar pensando na gota e não no oceano, em reciclagem, não usar sacolas plásticas...
Apesar de conhecer esses conceitos e os achar louváveis, eu demoro no banho. E digo mais, por vezes tomo 3 ou 4 banhos em um dia, sem que isso signifique períodos mais curtos debaixo d'água. A razão básica para fazer isso é simples: eu gosto e pago minha conta de água e luz - sim, ainda é banho quente em muitas vezes.
É mais humanitário do que atropelar um morador de rua ou fechar um pobre companheiro de engarrafamentos, aos quais sou submetido em todos os dias (perto ou longe, atualmente em Belo Horizonte você sempre chega atrasado e correndo, não importa se você sai 1 hora antes para chegar a um destino a 5,3 km com estimativa de viagem de 10 minutos). É mais inteligente que brigar com a esposa sem razão só por estar nervoso, uma vez que você paga seus impostos e não são poucos: cerca de 30% do que trabalha na fonte, mais uma quantidade que desconheço embutida em tudo o que consome - e talvez para minha saúde mental seja melhor que eu não saiba mesmo - além de IPVA, DPVAT, IPTU... para ser assediado quando vai a algum lugar e precisa parar o carro na rua, quando estraga seus pneus ou amortecedores trafegando em ruas e estradas sem condição, quando vê que a educação estatal básica em qualquer esfera produz na verdade analfabetos funcionais, além das farras e mais farras com o MEU dinheiro: estádio para o Corinthians, a lista de gastos mensais com comida para o staff da Roseana Sarney e os dinheiros em cuecas em geral. Enfim, quando penso nessas e outras situações similares, ao invés de colocar uma arma na minha cabeça, coloco a cabeça debaixo d'água - e, reforçando mais uma vez de forma pleonástica, pago por isso.
Então, após esta introdução e pequeno desenvolvimento, chegamos ao ponto chave que deu origem a este texto: A recentemente finda Rio+20. Somente duas instituições internacionalmente reconhecidas por sua fraqueza em políticas externas, organização e capacidade de ação como a ONU e o governo brasileiro poderiam estar liderando tal movimento. Perdão, movimento implica em sair do lugar, mesmo que para trás, e talvez não seja o melhor termo para "aquilo" que aconteceu. Não que tenha sido uma surpresa. Era uma das pedras mais cantadas da história. O esvaziamento dos debates sem a presença das maiores potências do mundo, preocupadas com seus próprios umbigos sujos nesse "momento" de crise, e uma carta final que não define nada de concreto para que não seja ridicularizada por não ser respeitada depois (ECO 92, Kyoto, entre outros) foi o saldo final do evento. E tudo com o meu dinheiro. O dinheiro dos americanos e alemães não foi desperdiçado nesse teatro, foi possivelmente canalizado para resolução de problemas mais urgentes daquelas sociedades, e não usado na construção de uma passarela para pseudointelectuais profissionais ou de ocasião desfilarem sem deixar nada de saldo.
Assim convoco a você, de dread no cabelo e sandália de fibras nos pés (além de possivelmente maconha na cabeça), que acha ótimas campanhas do tipo "Faça xixi no banho" que circularam e circulam pelo país, que tem uma postura engajada, tentando convencer chateando amigos próximos e estranhos no ônibus a plantar uma árvore para amenizar o impacto dos gases estufa quando nascer alguém ou quando há a eliminação natural de metano pelo sistema gastrointestinal humano: faça algo realmente produtivo! Não é me irritando por tomar banho demorado que você vai conseguir resolver alguma coisa. A sociedade organizada deve optar pelo modelo de desenvolvimento que quer e pode custear, formar um governo baseado neste ideal e aí sim poderá ordenadamente chegar a algum lugar - mesmo que o lugar seja o consumo desordenado do meio ambiente. Não seja conivente com o gasto de dinheiro público sem uma finalidade prática. Te aguardo na banheira.
terça-feira, 26 de junho de 2012
Diário da balança #2: 110(-5)
Osúltimosdiastemsidotranquilosdesdequefuiaomédicoecomeceiatomarummedicamentoparareduziroapetitepoisestavadifícildemanteradieta.Efeitoscolaterais?Nãosintonenhum,estouótimoemaisbemdisposto.Aestahorajálaveiobanheiro,prepareioalmoço,fizumrelatóriodotrabalhoeaspireiocarro.Agoraestoudescansandoenquantoescrevo.Adietaestápromissora.
Alexandre, o graaaaaaande.
sexta-feira, 22 de junho de 2012
Sobre manhas e almofadas
Quando ainda era pequeno, com seus dois anos de idade, Adolfinho sofria de "desmaios programados". Era só ser contrariado de alguma forma e ele imediatamente perdia os sentidos, caindo ao solo. Bem, tecnicamente, caía à almofada. É, coincidentemente sempre havia uma almofada a amortecer sua queda. No entanto, na primeira vez que "desmaiou", ele realmente assustou sua mãe. Mas com a repetição de suas síncopes ela acabou se acostumando. E um dia, cansada das atuações, ela aplicou o melhor remédio contra desmaios já inventado: puxou a almofada logo antes dele cair.
quinta-feira, 17 de maio de 2012
Cenários # 2
Era a terceira vez na semana que Carlos acordava na sala de sua casa ao lado de uma poça de vômito próximo ao meio dia. Era uma quinta-feira mas ele havia sido demitido há 15 dias então não se preocupou. Desde que sua esposa foi embora - já não aguentava os desaforos ditos durante a embriaguez, as visitas ao pronto-socorro devido às quedas, a falta de dinheiro e as dívidas pioradas pela bebida - ele se volatara com maior intensidade ao alcoolismo. Ajudava a dormir, a não pensar nos problemas e nos filhos que não via desde então. Mas agora, mesmo ainda sobre o efeito final da embriaguez a saudade dos meninos apertou. Pensou em procurar alguma forma de ajuda, terapia, AA, agarrar-se a alguma religião, fazer alguma coisa para reconquistar aos poucos o que perdeu. Pegou o telefone e ligou para a casa da sogra aonde a esposa estava com as crianças. Não conseguiu falar com elas e ouviu poucas e boas. Aquilo pareceu certo, não era a primeira vez que prometia tomar jeito. Pensou em ir até a igreja da esquina conversar com o padre, talvez ele conseguisse um emprego. Levantou-se, ainda cambaleante, a procura de algo para beber antes de sair...
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Andrea retorna da visita ao CTI onde seu filho está internado após um acidente com sua motocicleta. Após chegar em casa recebe uma ligação. Atende o telefone e é sua mãe querendo notícias do neto, mas principalmente de sua filha, pois sabe da situação crítica do acidentado#Ele continua do mesmo jeito mãe. O médico disse que seu estado é estável#Não sei filha, estável nesses casos não é bom#Mas ele está assim desde o acidente, tirando a infecção#Então, já tem um mês e não houve melhora, ele não acorda...
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Era véspera de natal e Paulinho aguardava ansioso pela visita do Papai Noel. Estava agitado e não conseguia dormir, rolando de um lado para o outro na cama. E cada mexida fazia barulho no saco plástico que seus pais usaram para cobrir o colchão tantas vezes usado como banheiro. Com isso seu irmão não conseguia dormir e o xingou#Você pode ficar quieto e dormir!?!?!#Não consigo Dudu, quero ver logo meu presente#Mas com você acordado ele não vem#Eu sei, mas eu quero que chegue logo de manhã#Fica quieto logo menino, a mamãe já comprou seu carrinho de bombeiro!#Mas não é da mamãe, é do Papai Noel...
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As vezes preferimos a ilusão ao desespero.
domingo, 13 de maio de 2012
Diário da balança #1: = em 115
Ok, eu admito: a primeira batalha foi da balança. Tentei implementar algumas mudanças em meus hábitos de vida e obtive alguns resultados interessantes. Como quando tive uma rápida alucinação durante um pequeno episódio de privação de oxigênio cerebral no dia em que deixei o carro na garagem e subi a pé a rua de casa em direção a padaria para comprar quindins (o que vale é a boa intenção). Enquanto meus neurônios faziam entre si uma disputa de MMA pelas escassas moléculas de O2 fui acionado pela Promotoria da Infância e Juventude devido a denúnicia de Mini Bis₢ abandonados, bem-casados me culpavam pelo seu divórcio, sofri olhares condenadores dos olhos de sogra enquanto suflês jogavam papo de anjo em mim. Foi uma pressão muito grande, gerou uma ansiedade difícil de controlar. Tentei meditação, 12 passos - tive nova privação de oxigênio do sexto para o sétimo passo - tomar água gelada, banho gelado, cogitei começar a fumar maconha, mas no final encontrei o perfeito ansiolítico: strogonoff de frango (mais uma vez o que vale é a boa intenção, poderia ter sido de carne vermelha) acompanhado por 2 litros de Coca Cola₢ e uma barra de Tortuguitas₢ de chocolate branco recheadas com brigadeiro. Planejo uma ofensiva mais eficaz para esta semana.
Alexandre, o graaaaaaaande.
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