No meio da tarde a sala está na penumbra. A cortina com blackout cumpre bem seu papel mantendo o sol fora da casa. Espalhados pela mesa, sobre o rack e no aparador brigam por espaço o passado e futuro, o descartável e o que será guardado, lembranças a serem esquecidas sem mesmo terem sido experimentadas. Me levanto com dificuldade do sofá manchado. Por ser muito baixo e profundo e sempre preciso me apoiar no braço para conseguir ficar de pé. O restante do apartamento também está escuro pois as portas dos quartos estão fechadas. E atrás delas as janelas também se mantêm fechadas há dias. Caminho em direção ao quarto que está com a porta aberta. Ele está escuro, quase como a noite. A cortina foi feita mais forte do que a da sala. O cenário aqui é bem parecido, onde uma grande caixa de papelão com roupas não usadas há duas décadas faz companhia à memorabilia puída e aos papéis cheios de boas intenções dobrados. Não há saída possível aqui, apenas junto a Morfeu e seus Oneiros. Sinto um toque suave no ombro me direcionando e a cama desarrumada me recebe como um útero ao embrião.
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