domingo, 28 de outubro de 2012

Gengivite causa mais que mau hálito

     Constantemente me surpreendo com a capacidade das pessoas em enxergar apenas o aspecto imediato da vida. Como exemplo vamos ver parte de uma peça publicitária que vem sendo veiculada atualmente.




     Só um pequeno detalhe: gengivite leva a doença periodontal, principal causa de perda dos dentes. Vou colocar em caixa alta: DEPOIS DO MAU HÁLITO VOCÊ PERDERÁ SEUS DENTES, É, VAI FICAR BANGUELA!!! É claro que mau hálito incomoda, mas cá entre nós, uma balinha já ajuda. Já ficar sem os dentes...
     No entanto não estou dizendo que é uma propaganda ruim. Pelo contrário, é uma excelente forma de marketing. Apela para o imediatista que vive dentro de cada um. Ninguém quer perder os dentes mas esse é um perigo para daqui alguns anos, o "bafo" está aqui agora, é o que incomoda no momento. Então o publicitário explora este aspecto, porque sabe que a maioria de nós vive a apagar incêndios e não a prevení-los. Dos dentes cuido depois, não posso é sair com esse bueiro para a balada!
     Então aqui vai o meu conselho para você matar dois coelhos com uma preguiçosa cajadada: use chiclete.


domingo, 5 de agosto de 2012

Diário da balança #3: 114(+4)

Tenho encontrado alguma dificuldade para controlar o apetite após interromper minha medicação. Fiquei um pouco agitado e, em um momento misto de alucinação e hipoglicemia, me peguei mastigando a bengala de uma senhora como se fosse um daqueles doces de filme. Desde então a fome anda furiosa sem o remedinho para aliviar a tensão. Na tentativa de sublimar meus desejos mais sórdidos comprei uma nova série de produtos de cuidado corporal: shampoo de morango, creme hidratante de pera, pós barba de limão, perfume de melancia, etc. Tenho apresentado, entretanto, dois efeitos colaterais. O primeiro é uma boiolice desenfreada, uma vez que minha parte de produtos de beleza é aproximadamente 2x maior do que a da minha esposa. O segundo foi quando comi metade da minha mousse de chocolate para os cabelos .
Alexandre, o graaaaaaaande.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Política mineira

Caminhavam sozinhos, ele mais à direita da esquerda e ela mais à esquerda da direita. Viam o grupo que caminhava um pouco mais ao lado, mas para não abrir mão das suas convicções caminhavam sozinhos, ao centro da maioria. Até que se encontraram e perceberam que, apesar de serem originalmente de lados opostos, no atual cenário estavam juntos. Então criaram seu próprio partido.

sábado, 28 de julho de 2012

Sobre presentes e enxurradas

A família de Adolfinho planejava uma viagem à praia. Era início de dezembro e chovia muito em BH. Sua mãe decidiu que o velho calção de banho dele já havia cumprido sua missão. Então, alguns dias antes da partida, ela chegou em casa com uma sunga nova, amarela marca-texto. Nem é preciso dizer o quato o menino adorou seu presente, tão chamativo quanto o antigo companheiro de aventuras. Em sua cabeça seria como quando os Cavaleiros do Zodíaco usavam suas armaduras douradas ao invés das usuais. E em um instante já corria pela sala com o calção. A mãe de Adolfinho, temendo que antes de ver a areia da praia a sunga já estragasse mandou que o menino a tirasse e ele, a contragosto, obedeceu. Até os Cavaleiros tiveram reveses ao enfrentar Poseidon. A tarde, após sua mãe sair para trabalhar, o destemido cavaleiro recuperou sua armadura dourada e partiu para enfrentar suas inóspitas jornadas em busca do bem - no hall de seu prédio. Foi quando ele viu a grande enxurrada que se formava no meio fio de sua casa...algum tempo depois, quando já voltava para casa, sua mãe pode ver, deitado no meio d'água junto ao meio fio, o solitário Cavaleiro do Zodíaco dourado em sua batalha contra o perverso Poseidon.

domingo, 1 de julho de 2012

O que aconteceria comigo se...

...eu recebesse uma flor.
   Venho caminhando pelo centro e um desses cidadãos caricatos, que toda cidade tem, me entrega uma flor, em um puro e singelo ato de altruísmo. Nesse instante uma abelha saí de dentro das pétalas e me ferroa, dando início a um choque anafilático.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Por que eu demoro no banho

     Se eu bem me lembro das aulas de geografia, a proporção é mais ou menos essa: de toda a água na Terra, 97% é salgada, 2% estão nas calotas polares e 1% estaria nos lagos e rios, sendo esta fração a apropriada para consumo humano. É provável que também venha de alguma dessas aulas a verdade incoveniente do aumento global da temperatura provocado pelos gases estufa, que modificam climas e derretem as tais calotas polares, alterando de maneiras variadas diversos ecossistemas e formas de vida, incluindo a humana. Existem outros exemplos, como a insustentabilidade do uso de combustíveis fósseis e sua poluição, mas acredito que já tenha sido possível captar a idéia (abro aqui um parêntese para agradecer meus professores de geografia, um abraço na família). É preciso preocupar-se com sua "marca" na Terra, ser menos poluente e mais sustentável, atuar pensando na gota e não no oceano, em reciclagem, não usar sacolas plásticas...
     Apesar de conhecer esses conceitos e os achar louváveis, eu demoro no banho. E digo mais, por vezes tomo 3 ou 4 banhos em um dia, sem que isso signifique períodos mais curtos debaixo d'água. A razão básica para fazer isso é simples: eu gosto e pago minha conta de água e luz - sim, ainda é banho quente em muitas vezes. 
     É mais humanitário do que atropelar um morador de rua ou fechar um pobre companheiro de engarrafamentos, aos quais sou submetido em todos os dias (perto ou longe, atualmente em Belo Horizonte você sempre chega atrasado e correndo, não importa se você sai 1 hora antes para chegar a um destino a 5,3 km com estimativa de viagem de 10 minutos). É mais inteligente que brigar com a esposa sem razão só por estar nervoso, uma vez que você paga seus impostos e não são poucos: cerca de 30% do que trabalha na fonte, mais uma quantidade que desconheço embutida em tudo o que consome - e talvez para minha saúde mental seja melhor que eu não saiba mesmo - além de IPVA, DPVAT, IPTU...  para ser assediado quando vai a algum lugar e precisa parar o carro na rua, quando estraga seus pneus ou amortecedores trafegando em ruas e estradas sem condição, quando vê que a educação estatal básica em qualquer esfera produz na verdade analfabetos funcionais, além das farras e mais farras com o MEU dinheiro: estádio para o Corinthians, a lista de gastos mensais com comida para o staff da Roseana Sarney e os dinheiros em cuecas em geral. Enfim, quando penso nessas e outras situações similares, ao invés de colocar uma arma na minha cabeça, coloco a cabeça debaixo d'água - e, reforçando mais uma vez de forma pleonástica, pago por isso.
     Então, após esta introdução e pequeno desenvolvimento, chegamos ao ponto chave que deu origem a este texto: A recentemente finda Rio+20. Somente duas instituições internacionalmente reconhecidas por sua fraqueza em políticas externas, organização e capacidade de ação como a ONU e o governo brasileiro poderiam estar liderando tal movimento. Perdão, movimento implica em sair do lugar, mesmo que para trás, e talvez não seja o melhor termo para "aquilo" que aconteceu. Não que tenha sido uma surpresa. Era uma das pedras mais cantadas da história. O esvaziamento dos debates sem a presença das maiores potências do mundo, preocupadas com seus próprios umbigos sujos nesse "momento" de crise, e uma carta final que não define nada de concreto para que não seja ridicularizada por não ser respeitada depois (ECO 92, Kyoto, entre outros) foi o saldo final do evento. E tudo com o meu dinheiro. O dinheiro dos americanos e alemães não foi desperdiçado nesse teatro, foi possivelmente canalizado para resolução de problemas mais urgentes daquelas sociedades, e não usado na construção de uma passarela para pseudointelectuais profissionais ou de ocasião desfilarem sem deixar nada de saldo. 
     Assim convoco a você, de dread no cabelo e sandália de fibras nos pés (além de possivelmente maconha na cabeça), que acha ótimas campanhas do tipo "Faça xixi no banho" que circularam e circulam pelo país, que tem uma postura engajada, tentando convencer chateando amigos próximos e estranhos no ônibus a plantar uma árvore para amenizar o impacto dos gases estufa quando nascer alguém ou quando há a eliminação natural de metano pelo sistema gastrointestinal humano: faça algo realmente produtivo! Não é me irritando por tomar banho demorado que você vai conseguir resolver alguma coisa. A sociedade organizada deve optar pelo modelo de desenvolvimento que quer e pode custear, formar um governo baseado neste ideal e aí sim poderá ordenadamente chegar a algum lugar - mesmo que o lugar seja o consumo desordenado do meio ambiente. Não seja conivente com o gasto de dinheiro público sem uma finalidade prática. Te aguardo na banheira.