sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Réquiem para ilusão

Estava andando na rua, você passou
com um sorriso manhoso, me conquistou
enfeitiçado, atordoado, nem me movi
olhando pra esquina vi você sumir

Então é noite e eu sem dormir
uma hora – você onde mora?
duas horas – você se cora
e já são quatro horas – não houve fora

Escorado em um muro te esperando
com os espinhos da rosa me espetando
petrificado, todo molhado de suor
o que fazer? Você já vem, ainda não sei de cor

Então olhei você passar por mim

Mais uma noite sem dormir
olho pro teto – aqui por perto
os olhos coçam – as mãos se tocam
tudo calado – você do meu lado

É amanhã, o amanhã

Mas você não passou por ali
era noite quando desisti
desconsolado, derrotado fui me deitar
encontrar com você quando sonhar

É amanhã, o amanhã

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Um amor puro

Hoje senti um amor puro. Ele vei junto com o cheiro  do seu cabelo, quando estávamos deitados fazendo nada. Sua cabeça recostada no meu peito facilitou a invasão de leveza que acalmou meu coração preocupado com contas, atendimentos, IPVA, IPTU, IRPF, ITBI, ICC, HAS, DM, IRC, TRH, HC, FHEMIG, provas e desempenhos. Naquele momento, tudo ficou pequeno, insignificante perto do seu cheiro. Não aconteceu mais nada, mas o que mais poderia acontecer? A força e a simplicidade do que senti era só o que importava então.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Muros e grades

Assaltos. Caos na saúde. Balas ricocheteando. Rebeliões. Revoltas. Neonazismo. Neofascismo. Neoliberal. Enchentes. Seitas crentes. Condenados à morte. Bebês abandonados. Taxa de juros. Juramento em tribunal. Turista morto no carnaval. Secas. Ondas de calor. Dinheiro voando sem controlador. Censura. Doenças sem cura. Eleição de guerrilheiro. Pressão política sob a forma de dinheiro. Golpes das forças armadas.

Ainda bem que me protegi com meu escudo de 20 polegadas.



Do lado de cá não tem nada. Aqui vai sempre tudo bem. Mas só atento para isso quando falta o eco das palavras.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Forró na Praça

Dentro da calmaria de uma pequena cidade
Há sempre espaço para uma novidade
Novidade realmente nova ou velha polida
Não importa para quem quer se distrair da lida
As meninas novas se pintam Helenas de Tróia
As senhoras se penteam e relembram sua glória
Os rapazes escolhem seus alvos na sorveteria
Os senhores se apertam para fechar a braguilha
As luzes penduradas na praça da igreja
Iluminam a rua e o que se deseja
Durante 6 horas se bebe e se dança
Dores e dívidas, tudo se amansa
E no fim da noite, quando já se sente saudade
As luzes se apagam e amanhece a cidade